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Jejum e esmola - Por Dom Jaime Luiz Coelho

Data: 22/02/2010



Quaresma é tempo de penitência e conversão. E neste tempo, o próprio Jesus, no seu Evangelho, dá-nos as normas quaresmais. Vejamos São Mateus capítulo 6,1-6.16.18: “Guardai-vos de praticar as boas obras em público para serdes admirados.

Caso contrário não vos recompensará vosso Pai do céu. Quando deres esmola, não faças tocar a trombeta à frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para que o povo os louve. Asseguro-vos que já receberam seu pagamento.

Quando deres esmola, não saiba a esquerda o que faz a direita. Desse modo tua esmola ficará oculta, e teu Pai, que vê o escondido, te pagará”. O princípio geral desta norma se prende à intenção ou finalidade, que pode ser raiz ou motor das obras, modelando-as qualitativamente.

Contradiz a norma do cap. 5, 16, que diz: “Brilhe vossa luz diante dos homens, de modo que, ao ver vossa boas obras, glorifiquem o Pai do céu”. (não). Não contradiz, porque tal norma fala da conseqüência, não da finalidade, e o resultado é o louvor de Deus, não do homem – “para que as vejam”. – Orientadas para o Pai celeste, nossas obras recebem dele uma recompensa.

“Quando rezardes - diz Jesus - não façais como os hipócritas, que gostam de rezar em pé nas sinagogas e nas esquinas para se exibirem ao povo. Asseguro-vos que já receberam seu pagamento. Quando forem rezar, entre no teu quarto, fecha a porta e reza a teu Pai em segredo. E teu Pai, que vê o escondido, te pagará.

Quando rezardes, não sejam faladores como os pagãos, que pensam que à força de palavras serão ouvidos. Não os imiteis, pois vosso Pai sabe do que necessitais, antes que o peçais. Rezai assim: Pai nosso do céu! Seja respeitada a santidade do teu nome, venha teu reinado, cumpra-se teu desígnio na terra como no céu: dá-nos hoje o pão de amanhã, perdoa nossas ofensas como nós perdoamos aos que nos ofendem; não nos deixes sucumbir à prova e livra-nos do maligno. Pois se perdoais aos homens as ofensas, vosso Pai do céu vos perdoará, mas se não perdoais aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará vossas ofensas”.

Sobre a oração, em particular, de poucas palavras, o Pai nosso. É claro, não se refere à oração comunitária, que é necessariamente pública; muitos salmos concluem com o louvor a Deus “perante a assembleia”, mas falam também de orar no leito, de súplica de doentes. Jesus fala, antes, da oração em particular.

Não se deve convertê-la em espetáculo. Que contrasenso louvar a Deus para a glória própria! Deus não está confinado no templo, mas presente em toda parte, embora oculto (Is 45,15). Deus não condena a frequência (Lc 18,1) nem a assiduidade, mas a prolixidade (Tg 1,26); não frear a língua. Nós chamamos o Pai nosso de “oração dominical” porque foi ensinada por nosso Senhor Jesus Cristo, e por isso tem um lugar privilegiado. Devemos saboreá-la.

“Quando jejuardes - ensina Jesus - não façais um rosto sombrio como os hipócritas, que desfiguram o rosto para fazer o povo ver que estão jejuando. Asseguro-vos que já receberam seu pagamento. Quando jejuares, perfuma a cabeça, lava o rosto, de modo que os homens não percebam teu jejum, mas somente teu Pai, que está escondido; e teu Pai, que vê o escondido, te pagará”.

Havia entre os judeus e outros jejuns prescritos e voluntários, públicos por alguma calamidade, e privados para respaldar a súplica. Sobre o jejum dos discípulos, alguns como que se admiram, porque os discípulos não jejuam e Jesus diz: “Estão com o noivo, em festa, e não devem fazer luto”. Agora, pois, na Quaresma, não nos esqueçamos: é tempo de penitência e conversão.


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