Mostrar ao mundo – Por Jones Soares
Data: 18/02/2010
Afinal, que mundo é este que estamos construindo? O decreto do governo que define o “Programa Nacional dos Direitos Humanos” para o Brasil nos dá bem uma ideia do que pretendem para nós. Às escondidas, vão distorcendo, obscurecendo e limitando nossos horizontes.
Apresenta o modelo de um mundo cheio de propostas, mas que fecha as portas ao transcendente, que tudo faz para descartar Deus da existência do ser humano. Oferece um mercado atraente, mas com objetivos de nos prender nas malhas do consumismo e busca do prazer para prover os lucros. Um mundo que, com os avanços científicos e tecnológicos, dispõe de maior grau de desenvolvimento e parece dar ao ser humano mais autonomia. Mais do que isto, cria a prepotência que requer a existência de uma liberdade absoluta.
Diante disto, a dúvida que incomoda é se isso basta para dar “sentido absoluto” à existência humana. Se este modelo é capaz de responder aos anseios profundos de felicidade.
Se alguém conquista um desses benefícios propostos pode até sentir-se realizado, ter um momento marcante em sua vida. Mas é só por um momento. Ele logo passa ou, ao menos, diminui sua intensidade. Resta o vazio, a inquietação, a sofreguidão pela busca de outros momentos.
Às vezes, ele mesmo parece não se enxergar. Iludido, pensa e tenta explicar sua própria existência sem Deus. Porém sua frustração é inevitável porque o desejo de Deus está inscrito em seu coração. O que se nota são pessoas desnorteadas, sem rumo, sem esperança de dias melhores.
Porém, quando o ser humano se coloca diante de si mesmo e vê a grandeza daquilo que ele é, dá-se conta de que ele não existe para esse modelo que querem impor. Descobre que não basta para si mesmo, que precisa de Deus. Não de um Deus longínquo e abstrato, mas de um Deus pessoal, próximo e concreto. Descobre que só aceitando e experimentando sua existência com Ele é possível saciar esta sede de felicidade que traz consigo.
Em meio à enxurrada de propostas, diante da negação e afastamento de Deus e também da Igreja, diante da proposta de um Estado laico que procura afastar qualquer identificação religiosa, precisamos assumir nossa identidade de cristãos. Urge saber o que somos e onde se encontra o sentido mais profundo de nossa vida. É uma questão de assumirmos nossa identidade integral. Deixarmo-nos atrair por Deus. Não ter medo, pois só Nele encontraremos a verdade e a felicidade que tanto procuramos.
Não é uma questão de lógica de viver, mas de um viver concreto. Não é questão de raciocinar simplesmente, mas de um chamado para experimentar uma existência com Deus. Necessitamos perder o medo, ser ousados, experimentar a infinita bondade de Deus e disto dar testemunho ao mundo. Precisamos mostrar com o nosso agir que vale a pena andar pelos caminhos de Deus. Apontar uma via capaz de levar o ser humano concreto a sentir-se realizado. Mostrar ao mundo que vale a pena sermos amigos de Deus.
Artigo publicado no jornal Maringá Missão de fevereiro de 2010 - Por Jones Soares
