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Maringá, 27 de Dezembro de 2011

Onde está a estrela?

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Na cidade de Belém, na Palestina,
no dia 25 de dezembro, milhares de fieis se concentram para contemplar o lugar
onde estava aquela manjedoura que acolheu o Filho de Deus, há mais de 2 mil
anos. 
Em Belém – que
significa "casa do pão" - nasceu aquele que é o verdadeiro pão da
vida e da vida eterna. Tudo aconteceu como anunciaram os profetas. Naquela
noite foi registrado o maior acontecimento da história. Um menino nos
nasceu, um filho nos foi dado. Fora da cidade. Num abrigo de animais. Enfaixado
nos panos dos pobres. É Deus que se torna pequeno para entrar na nossa
história. Naquela noite os pastores, com medo, mal vistos e marginalizados,
foram os primeiros a ouvir a definitiva notícia na voz do anjo: "Não
tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que o será para todo o povo: Nasceu
para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor" (Lc 8,1-11). A humanidade não é
a mesma desde aquela madrugada. Depois dos pastores, o Deus menino é visitado
pelos Reis Magos. Enviados com a missão de encontrar o menino, guiados pela
estrela. No caminho, muitos tropeços, dúvidas. Eles chegaram a perder a luz de
vista, porém continuavam o caminho. Não podiam chegar sem olhar para o alto,
não viam as pedras, não sabiam a direção, não tinham a certeza de chegar, sem
levantar o olhar para a luz do alto. Chegam, adoram,
contemplam aquela cena simples, humilde, sem nenhum atrativo que pudesse chamar
a atenção. Silêncio e adoração marcam aquele encontro. Oferecem tudo o que tem
de melhor. A transformação daqueles homens, de cor e raça diferentes, é
imediata. Depois deste encontro não podem mais voltar pelo mesmo caminho. O olhar define o
rumo e o encontro. Pisando o chão da vida, enfrentando as intempéries e
fracassos, assumindo as quedas e curando as feridas, deixando de lado os
próprios planos e aceitar ser iluminados pela Luz do alto é a condição
principal para encontrar o "menino". É impossível chegar
sem levantar os olhos. O chão é necessário, mas não basta. A realidade da vida
oferece tudo, mas não é tudo. A alegria da festa permanece quando é feita na
luz da simplicidade e no encontro de quem traz anseios de plenitude. Por isso, hoje, na
festa do aniversário de Jesus, muitos encontros acontecem, muitos abraços de
amigos e parentes, muita saudade satisfeita, muitas distâncias diminuídas. Um
Natal diferente. A diferença não
pode ser de um dia, de um momento. Sei que os caminhos são diferentes, que nós
somos diferentes, como eram diferentes os três reis. Apesar das diferenças,
eles fizeram o mesmo caminho, chegaram juntos, foram iluminados pela mesma
estrela. Nenhuma diferença
fez diminuir o brilho do encontro. Foi tão profundo e transformador que mudaram
o caminho, começaram uma nova vida. Quantas perdas e desenganos. Quanta energia
em vão. Quanto tempo perdido por perder a Luz. Onde está a sua estrela? Qual a luz
que você segue? Ela vem do chão ou vem do alto? Nasceu para nós a
Luz que nunca se apaga e quem a encontrou não vive nas trevas. "Eu sou a
luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da
vida" (Jo 8,12). Natal é luz e nesta Luz eu quero caminhar com você. Essa
é a minha estrela e desejo que seja a tua também.
Dom Anuar Battisti Arcebispo de Maringá

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